Acidente com funcionária queimada em festa muda rotina de família; tia cuida dos filhos enquanto mãe segue internada

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Acidente com funcionária queimada em festa muda rotina de família; tia cuida dos filhos enquanto mãe segue internada
Acidente com funcionária queimada em festa muda rotina de família; tia cuida dos filhos enquanto mãe segue internada (Foto: Reprodução)

Mulher queimada no carnaval está internada com dores intensas Jennifer Rodrigues Monteiro, de 30 anos, segue internada na Santa Casa de São José dos Campos um mês após sofrer queimaduras graves ao acender um réchaud durante uma festa de carnaval em Mogi das Cruzes. O acidente aconteceu no dia 13 de fevereiro e mudou a rotina da vítima e da família. Segundo a tia da vítima, Adriana Rodrigues, o estado de saúde de Jennifer é estável, mas ainda considerado grave. Ela tem dificuldade para respirar sem ajuda de aparelhos. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp “Ela precisou fazer uma traqueostomia, mas tem ajuda mecânica para respirar. Passou por cirurgias de enxertos, que foram bem-sucedidas. A Jennifer teve uma infecção de pele, que já foi solucionada. No geral, o quadro de saúde dela é de risco”, explicou Adriana. O g1 pediu informações à Santa Casa de São José dos Campos sobre o estado de saúde da paciente, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. Leia também Mulher queimada em festa de carnaval em Mogi das Cruzes é transferida para hospital especializado em queimados 'Implorando por remédio mais forte', diz tia de mulher queimada em festa de carnaval em Mogi das Cruzes; vítima será transferida “Foi a primeira vez que ela trabalhou nesse buffet”, diz tia de mulher queimada em festa de carnaval em Mogi das Cruzes Funcionária tem 31% do corpo queimado após fogo durante festa de carnaval em clube de Mogi das Cruzes Funcionária e convidados ficam feridos após fogo durante festa de carnaval em clube de Mogi das Cruzes Jennifer teve o corpo queimado enquanto trabalhava em uma festa em Mogi das Cruzes Reprodução/Redes sociais O acidente aconteceu na noite de 13 de fevereiro, durante a festa ”Abre Alas”, no Clube de Campo de Mogi das Cruzes. Jennifer trabalhava para um buffet e tentava acender um réchaud quando houve uma combustão e o fogo a atingiu. 🔍 O réchaud é um recipiente usado para manter alimentos aquecidos, comum em buffets. Ele funciona com uma fonte de calor na parte inferior, geralmente uma chama a álcool ou gel combustível, que aquece o recipiente onde a comida fica. Jennifer foi levada primeiro para a Santa Casa de Mogi. Segundo a tia, o atendimento incial foi "superficial". Após um pedido da família, que temia risco de infecção, ela foi transferida no dia 17 de fevereiro para a Santa Casa de São José dos Campos, no Vale do Paraíba. As queimaduras atingiram grande parte do corpo. "Ela só não queimou as nádegas, as costas e o rosto", declarou a tia. O acidente também mudou a rotina a família. O irmão de Jennifer, Felipe Estevão, que é autônomo, precisou parar de trabalhar para acompanhá-la no hospital. “Ele está com a vida toda revirada, já que, além de todas as despesas pessoais, paga pensão de um filho”, contou Adriana. Adriana, de 47 anos, também teve a rotina transformada. Funcionária de uma empresa funerária, ela passou a cuidar dos três filhos mais novos de Jennifer, de 4, 6 e 7 anos, que não têm contato com o pai. Os dois filhos mais velhos, de 11 e 12 anos, estão com o pai. “Hoje me encontro com três crianças pequenas que demandam rotinas, disciplina, alimentação, rotina escolar e tudo requer tempo, paciência e dedicação”, detalhou. Para organizar a nova rotina, Adriana tirou férias do trabalho. Mesmo assim, ela diz que está preocupada com o futuro. "Quem vai levar, buscar e ficar com eles [quando eu voltar a trabalhar]? Hoje, graças a Deus, algumas pessoas estão ajudando com doação, mas até quando? Minhas contas obviamente irão aumentar. Eu tive minha vida revirada de cabeça para baixo", desabafou. Segundo Adriana, o buffet onde Jennifer trabalhava tem ajudado com alimentos, produtos de limpeza e uma quantia para o transporte do irmão até o hospital. Já o Clube de Campo, afirma ela, não ofereceu apoio. “Ainda não demos entrada em um processo judicial contra eles. Iremos mover uma ação sim contra ambos, já que criança não vive só de comida”, afirmou. O g1 procurou o buffet Perfil, mas não obteve resposta. O Clube de Campo de Mogi das Cruzes disse que "continua acompanhando o caso dentro do que o papel institucional lhe compete" (leia a nota completa abaixo). Dificuldade de matrícula Com a mudança para a casa da tia, no distrito de César de Sousa, as crianças precisaram ser transferidas de escola. Inicialmente, a Secretaria de Educação de Mogi das Cruzes informou que não havia vagas para os irmãos de 6 e 7 anos na mesma escola de período integral perto da nova casa, a Escola Municipal Professora Guiomar Pinheiro Franco. A filha mais nova, de 4 anos, conseguiu vaga apenas em uma creche distante. Depois que o g1 questionou a secretaria sobre o caso, Adriana disse que recebeu uma ligação do órgão informando que as duas crianças seriam matriculadas na escola desejada. Ao g1, a Secretaria de Educação informou que houve a transferência de um aluno da turma do 1º ano da Escola Municipal Professora Guiomar Pinheiro Franco. Com isso, há vagas disponíveis nas turmas de 1º e 2º ano para os filhos de Jennifer. Família busca ajuda para as crianças O hospital ainda não permite visitas. Mesmo assim, as crianças conseguiram falar com a mãe por chamada de vídeo após a redução da sedação. “Foi bem emocionante. Teve muito choro. As crianças ficaram bem sensibilizadas por verem a mãe da forma que ela está”, contou a tia. Segundo Adriana, as crianças têm apresentado sinais de estresse e ansiedade. “Elas chamam pela mãe, querem fazer ligação toda hora, o que não é possível. A caçula acorda de madrugada gritando pela mãe. Tem sido semanas bem complicadas”. Adriana afirma que as crianças precisam de apoio psicológico. Segundo ela, o Conselho Tutelar entrou em contato para pedir documentos, mas ainda não realizou visita. “Que direitos essas crianças têm que de fato estão sendo prevalecidos? E se essas crianças não tivessem a mim, o que seria?”, questiona. O Conselho Tutelar de Mogi das Cruzes informou que acompanha a situação para "identificar eventuais demandas relacionadas à garantia de direitos". O que diz o clube Por meio de nota, o Clube de Campo de Mogi das Cruzes informou que: “Em relação ao acidente ocorrido no Baile Abre Alas, em 13/2, o Clube de Campo de Mogi das Cruzes (CCMC) informa que o mesmo está sob apuração do 1º Distrito Policial (DP) de Mogi das Cruzes-SP. Desta forma, qualquer informação sobre o caso deve ser solicitada à autoridade policial ou à Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) do Governo de São Paulo. Importante destacar que, em razão do rápido socorro prestado pela ambulância que estava de prontidão no CCMC, no evento, a colaboradora do buffet contratado para a festa atingida pela combustão inesperada foi encaminhada ao devido atendimento médico de urgência e de emergência em unidade hospitalar. A Presidência do CCMC continua acompanhando o caso dentro do que o papel institucional lhe compete. Por fim, é importante ressaltar que, em 68 anos de existência, este foi o primeiro incidente com vítimas registrado no clube - algo pontual”. Veja tudo sobre o Alto Tietê