‘Bolinha’ no cotovelo do cachorro? Entenda o que pode ser e quando procurar ajuda veterinária

Bolinha’ no cotovelo do cachorro pode ser higroma e causar complicações se não tratada “Cuidar de um cão vai além de dar ração e brincar, é ter resp...

‘Bolinha’ no cotovelo do cachorro? Entenda o que pode ser e quando procurar ajuda veterinária
‘Bolinha’ no cotovelo do cachorro? Entenda o que pode ser e quando procurar ajuda veterinária (Foto: Reprodução)

Bolinha’ no cotovelo do cachorro pode ser higroma e causar complicações se não tratada “Cuidar de um cão vai além de dar ração e brincar, é ter responsabilidade e, inclusive, se abdicar de algo para você, para cuidar dele, é dar o seu tempo, é dedicar-se”. A frase é de Sidneia Isabel da Silva Jesus, moradora de Teodoro Sampaio (SP), que nos últimos anos não mediu esforços para cuidar de Boris. O cachorro já enfrentou diferentes problemas de saúde, entre eles o higroma: uma “bolinha” que pode surgir no cotovelo de alguns cães. Conforme Murilo Vieira Landim, médico veterinário especialista em ortopedia em Presidente Prudente (SP), o higroma é uma bolsa de líquido (seroma) que se forma sob a pele, geralmente sobre proeminências ósseas e acontece como uma resposta do organismo a traumas repetitivos ou pressão constante. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp “A região do cotovelo é a mais afetada porque é um ponto de apoio natural do cão quando ele deita, principalmente em superfícies duras. Com o tempo, esse impacto repetido leva à formação dessa bolsa líquida como uma forma de ‘proteção’”, explicou ao g1. "Bolinha" no cotovelo precisa ser tratada para evitar complicações Sidneia I. da Silva Jesus/Arquivo pessoal Percebendo o problema Boris, cão sem raça definida, hoje com pouco mais de três anos, acompanha passo a passo da tutora, seja na sala, quarto ou cozinha. Entre um afazer e outro, Sidneia corresponde à parceria interagindo com o pet, principalmente com carinho. Foi em um desses toques que ela detectou um aumento no cotovelo, que ela chamou de “bolinha”. A proeminência anormal foi observada durante alguns dias e como não reduziu, uma médica veterinária foi procurada. Na ocasião, a profissional alertou sobre vários problemas que poderiam ser e apontou, inclusive, um tumor, para a apreensão de Sidneia. Para obter uma segunda opinião, a tutora procurou o médico veterinário dermatologista de Boris, Luis Felipe Zulim. “Ele fez a avaliação em consulta e explicou sobre o problema! Ele disse que não precisaria se preocupar quanto a tumor, pois não tinha aspecto, era ‘molinho’”, lembrou ao g1. Entre consultas, exames e avaliações, o diagnóstico foi dado: higroma. Diante disso, Sidneia foi orientada a proteger a área para evitar colisões e a piora da inflamação. “O Boris é desajeitado e vive correndo, então foi melhor proteger o local”, contou. Sidneia Jesus não mediu esforços para cuidar de Boris Sidneia I. da Silva Jesus/Arquivo pessoal “O tratamento foi simples, nada complexo!”. Além de proteger a área com o uso de um colete protetor de cotovelos para evitar bater o local, foram administradas duas medicações anti-inflamatórias e houve a necessidade de duas drenagens. Na casa também foram adaptados alguns ambientes. “Passamos a colocar tapetes antiderrapantes e confortáveis pra ele brincar e minimizar o atrito direto com o chão”, explicou. Até a recuperação, Sidneia percebia alguns sinais de incômodo no pet, como dificuldade de apoiar a pata ocasionalmente. Diante do sucesso do tratamento, que durou cerca de um mês, a tutora afirma que conhecer a rotina do pet ajuda muito a identificar se algo está errado. “Você detecta ao menor sinal que algo causa desconforto! Tocar o corpo do pet verificando anomalias, ajuda muito! Foi assim que percebemos! Uma vez detectado o problema, cuidar com carinho, observar as alterações e acima de tudo, ter a responsabilidade de seguir as orientações do profissional”, pontuou. Recordando que Boris apresentou problemas graves de saúde desde os primeiros meses de vida, a tutora reforça a importância da responsabilidade com o bem-estar dos pets ao adotar um. "Abri mão de coisas que eu planejava adquirir e investi completamente nele, e não me arrependo. É meu milagre vivo! Eles têm sentimentos, eles entendem tudo. É recompensador!", finalizou Sidneia, hoje aliviada ao ver o cachorro recuperado e cheio de energia. Boris utilizava protetores de cotovelo para amenizar impactos e evitar o agravamento do higroma Sidneia I. da Silva Jesus/Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: Cachorro se recusa a deixar delegacia após tutor ser preso e vira 'mascote' dos policiais no interior de SP Onça-parda encontrada em garagem de casa no interior de SP é solta na natureza; veja o momento Riscos do higroma Apesar de ser simples e ter um tratamento rápido, o higroma pode evoluir e ter complicações. Alguns fatores aumentam o risco de um cachorro desenvolver a doença. Os principais, segundo Murilo, ortopedista veterinário, são: Ser um cão de porte grande ou gigante, pois dispersam mais peso sobre as articulações; Ambiente de vivência ter superfícies duras, como cimento, piso frio e chão áspero; O pet possuir baixo escore de massa muscular ou ser muito magro, reduzindo a proteção natural; Animais jovens de crescimento rápido; Cães idosos com dificuldade de locomoção; Ter doenças ortopédicas. A dor no quadril, por exemplo, pode aumentar a sobrecarga nos cotovelos. “É uma condição multifatorial, mas sempre relacionada à pressão mecânica repetida”, afirmou o especialista. A maioria dos casos de higroma ocorre em cães jovens, entre 6 e 18 meses de idade, de raças grandes e gigantes, antes que um calo protetor se forme sobre a proeminência óssea. As raças que costumam apresentar o higroma incluem: Labrador Golden Retriever Pastor Alemão Rottweiler Dogue Alemão No entanto, não é uma regra. Cães que ficam muito tempo em canil ou áreas externas com piso rígido também têm maior risco, independentemente da raça. Segundo o ortopedista veterinário, na maioria dos casos iniciais, o higroma não causa dor, pois costuma ser uma estrutura macia, fria e indolor. Mas existem complicações, como infecção ou ulceração. Nesses casos podem surgir dor, vermelhidão ou aumento de volume, lambedura excessiva, ferida aberta e secreção. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico do higroma em seu estágio simples é clínico e baseado em localização típica, consistência do conteúdo (líquido) e histórico do animal. Exames complementares podem ser utilizados quando há dúvida ou complicações, como punção para análise do líquido, ultrassom e radiografia, para avaliar estruturas ósseas associadas. Já o tratamento depende do estágio, segundo Landim, e inclui ajustes ambientais com uso de camas macias e acolchoadas, proteção da região (cotoveleiras), controle de peso, drenagem (usada apenas em casos contaminados) e uso de medicamentos se houver inflamação ou infecção. “O ponto mais importante é: corrigir a causa (trauma repetitivo em superfície dura), senão o higroma volta. Muitos casos melhoram apenas com mudanças no ambiente”, orientou. A cirurgia só é indicada quando todas as tentativas de tratamento conservador falharem. “É importante destacar que a cirurgia tem alto índice de complicações. O manejo pós-operatório costuma ser complicado e só é realizada em casos bem selecionados”, continuou. Quando o higroma não é tratado adequadamente, ele pode evoluir para infecção (abscesso), fístulas, dor e desconforto e dificuldade de cicatrização. Nesses casos, o tratamento se torna mais longo e complexo. Orientações Murilo Landim, ortopedista veterinário, destacou que a prevenção é simples e muito eficaz, principalmente em cães de grande porte: Ofereça camas macias e acolchoadas; Evite que o cão deite diretamente em piso duro; Mantenha o peso do pet adequado; Trate precocemente problemas ortopédicos; Use protetores de cotovelo em cães de risco; Observe qualquer aumento de volume precocemente. “O higroma, na maioria das vezes, é uma condição benigna e evitável, mas pode se tornar um problema sério se evoluir. Quanto antes o tutor percebe e ajusta o ambiente, menor a chance de complicações e de necessidade de cirurgia”, destacou ao g1. Exames complementares, como radiografia, podem ser utilizados para análise do líquido acumulado Arquivo pessoal Dermatologia Apesar de o higroma ser uma condição atendida inicialmente pela ortopedia, os tutores acabam procurando dermatologistas principalmente quando surgem complicações na pele, como úlcera, fístula e infecção. Segundo o dermatologista veterinário Luis Felipe Zulim, do ponto de vista dermatológico, a preocupação surge quando o acúmulo de líquido começa a comprometer a pele da região, deixando-a mais fina e sensível. “Como o higroma acumula líquido, esse líquido pode infeccionar e aí ‘fistular’, ou seja, a pele se rompe para drenar o líquido, e fica uma porta de entrada para mais infecção e inflamação. Isso causa um desconforto local (na pele)”, explicou ao g1. O especialista explicou que, quando a pele se rompe, surge uma porta de entrada para bactérias e, pelo desconforto, o paciente tende a lamber a região, o que também favorece a contaminação e dificulta a cicatrização. Nessas situações, quando o higroma se rompe ou forma feridas, é importante ter uma rotina de limpeza com um produto orientado pelo médico veterinário e impedir que o paciente fique lambendo a região com o uso de faixas, ataduras ou o colar elisabetano (abajur) no pescoço. Mas como diferenciar o higroma de outros problemas dermatológicos ou lesões que também causam inchaço? Segundo o veterinário, o diagnóstico começa pela avaliação do histórico do animal e pela observação do aumento de volume em regiões que costumam sofrer atrito com o chão, como o cotovelo. Também são analisados os sinais clínicos: o higroma, em geral, é uma lesão localizada e isolada, que não acomete outras partes do corpo. Para confirmar o quadro, podem ser realizados exames como a citologia do líquido drenado e, em alguns casos, a biópsia, indicada para descartar a possibilidade de neoplasia (câncer). Ainda de acordo com o dermatologista, a pressão constante na região também pode provocar outras alterações na pele além do higroma. “É comum a hiperqueratose, quando a pele vai ficando grossa na região, semelhante à pele de elefante, como se fosse um “calo”, e isso causa desconforto pelo ressecamento e pode predispor a infecções secundárias também”, alertou. Ao identificar o problema, também é possível realizar cuidados com a pele para evitar agravamentos. Na dermatologia, nos casos simples, é priorizado o tratamento tópico. Se houver infecção instalada ou a cicatrização estiver difícil, há indicação de antibiótico oral. Mas cada caso é avaliado individualmente. LEIA TAMBÉM: Casos de maus-tratos no interior de SP preocupam protetores e autoridades; saiba como denunciar VÍDEO: filhote de tamanduá-bandeira é resgatado após ser encontrado ao lado da mãe atropelada em Narandiba Proteção e recuperação da pele Além da prevenção, alguns cuidados ajudam na recuperação da pele que teve a lesão. O uso de protetores de cotovelo ou curativos auxiliam na redução do trauma contínuo, ou seja, a fricção. Cuidados específicos com higiene ou hidratação da pele durante o tratamento também devem ser tomados para maior proteção da barreira cutânea. Depois de tratado, o higroma pode voltar, e para evitar que isso aconteça, os tutores precisam estar atentos aos seus pets. Segundo Zulim, alguns cães precisarão usar o protetor de cotovelo constantemente. Para alguns animais também é importante o controle ou a redução de peso, quando houver sobrepeso, e condicioná-los a deitar em lugares macios (caminhas, acolchoados), evitando o impacto forte que acontece no chão. O uso de protetores de cotovelo e de camas macias ajuda a minimizar o impacto do contato da lesão com o chão Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM