Com 1,4 mil cirurgias em espera, Piracicaba cria tabela SUS para reduzir fila de pacientes; entenda
Piracicaba cria tabela própria do SUS para acelerar cirurgias e exames na rede municipal A Prefeitura de Piracicaba criou a própria tabela SUS para reduzir a ...
Piracicaba cria tabela própria do SUS para acelerar cirurgias e exames na rede municipal A Prefeitura de Piracicaba criou a própria tabela SUS para reduzir a fila de espera por cirurgias e ampliar o oferecimento de atendimentos clínicos na cidade. Atualmente, a cidade tem 1.421 pacientes aguardando por operações médicas. As cirurgias de coluna lideram o ranking, com 551 pessoas. Na sequência, estão as cirurgias de joelho, com 368 pacientes na fila. Em casos de procedimentos de alta complexidade, o tempo de espera para realização da cirurgia pode levar de dois a cinco anos. Com a tabela SUS Piracicabana, o objetivo é reduzir esse prazo para cerca de três meses. Com a tabela SUS, a Casa e o Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba deverão oferecer mais 450 tipos de procedimentos, exames e cirurgias. Transparência: conforme a administração municipal, a partir de agora, a prefeitura vai conseguir monitorar quais são esses procedimentos em espera, em que prazo são realizados, e saber exatamente qual que é o valor pago por cada um. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Prefeitura de Piracicaba cria tabela SUS oferta de cirurgias e exames para reduzir filas na saúde Prefeitura de Piracicaba/ Reprodução Tabela SUS O que a Tabela SUS? É um sistema oficial do Governo Federal que cataloga e estabelece os valores repassados a instituições de saúde conveniadas. Ele detalha a remuneração de consultas, exames, insumos e intervenções médicas, operando como o referencial de custos que baliza as transações financeiras dentro do Sistema Único de Saúde. A criação da Tabela SUS Piracicabana começou com a assinatura do novo Plano Operacional Anual (POA) oficializada na última sexta-feira (24). O projeto teve um ano de negociações antes de ser efetivado, segundo a Secretaria de Saúde da cidade. Segundo a prefeitura, a antiga forma de complementação municipal para os hospitais, que não previa um incentivo individualizado dos procedimentos, estava sendo questionada pelo Tribunal de Contas do Estado e precisava mudar. A prefeitura de Piracicaba já complementava o valor pago por esses procedimentos para esses hospitais desde 2012. Mas, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) começou a impedir ou a investigar esse repasse de recursos. Cirurgias de coluna lideram especialidade com maior número de pacientes na fila de espera pelo procedimento em Piracicaba Reprodução/EPTV “O objetivo é garantir atendimento de qualidade, com redução das filas e remuneração justa pelos serviços”, disse o prefeito Helinho Zanatta. Os repasses da Tabela Piracicabana se somam aos recursos vindos do Ministério da Saúde e da Tabela SUS Paulista, criada pelo governador Tarcísio de Freitas. O trabalho foi executado pelos técnicos da Prefeitura, em parceria com os representantes da Santa Casa e dos Fornecedores de Cana, com uma consultoria externa da Fipe-USP. Espera A paciente Marcia Almeida aguarda há quase um ano por duas cirurgias, nos olhos e nos seios. Ela relata os desafios que enfrenta enquanto espera pelos procedimentos. "É doloroso. Tenho muita dor de cabeça", disse. "É degradante", lamentou. Faltas em consulta Em Piracicaba (SP), 57.332 consultas e exames deixaram de ser realizados entre janeiro e março de 2026 porque os pacientes não compareceram. O número representa 23% dos 248.143 atendimentos agendados no período, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com a pasta, o impacto é direto nas filas. Com base nos números de 2025 — quando foram registradas 310.365 faltas — seria possível zerar a fila atual. Entre as áreas mais afetadas no levantamento do ano passado, estão radiologia e terapia ocupacional. Piracicaba registra 57 mil atendimentos perdidos por pacientes da rede pública Na atenção básica, o índice de ausências é 26,7%: foram 34.365 faltas em 128.845 consultas agendadas no primeiro trimestre de 2026. Já na atenção secundária, a taxa é 20,4% nas consultas especializadas e 17,3% nos exames. Vaga perdida Quando o paciente falta sem aviso, a vaga é perdida e não pode ser reaproveitada. Além disso, o usuário precisa retornar ao fim da fila para um novo agendamento, o que prolonga ainda mais o tempo de espera. A Secretaria Municipal de Saúde orienta que, caso o paciente não consiga comparecer na data marcada, o cancelamento seja feito de forma antecipada. A medida, segundo a pasta, ajuda a evitar o desperdício de vagas e contribui para reduzir o tempo de espera de quem precisa do atendimento. Um ano na fila Falta em consultas chegam a 57 mil no SUS em Piracicaba; vagas perdidas poderiam ter zerado fila, diz Saúde Reprodução/EPTV O universitário Oswaldo França Filho recisa se consultar com um neurologista e está há quase um ano na fila. "Não tem fundamento. O povo sofre tanto. Eu acho que um mês, um mês e pouco seria um tempo bom, mas quase um ano é muita coisa", disse A representante comercial Shirlei Lima conta que já precisou de exame ginecológico e demorou até três meses para conseguir. Mas, quando precisou de mamografia, teve de esperar um ano. "Por exemplo, você tem um médico para ir ou um exame para fazer e você não vai, avisa antes, porque eles podem ligar para uma pessoa que já está esperando há anos, há meses, e essa pessoa pode ter essa oportunidade de fazer esse exame mais rápido", disse. Três meses aguardando uma consulta A cuidadora Ana Lúcia Santana sente dores constantes nos dois braços e está desde fevereiro esperando consulta com um ortopedista. "Eu comecei com dores no ombro que descia para minhas mãos, e minhas mãos inchavam. Agora eu estou sentindo o cotovelo e nos dois braços. Falaram que a fila de espera está desde outubro do ano passado, e eles estão atendendo o pessoal de outubro. Não tenho previsão de nada. Estou esperando", disse. A angústia do pedreiro Josiel Barbosa também já dura 90 dias. Esse é o tempo que ele aguarda para se consultar com o neurologista. "Ah, é difícil, né? Porque a gente quer resolver. A gente tem um problema, quer resolver e fica na ansiedade", afirmou. Desistência A espera da auxiliar de produção Lucilene Oliveira dos Santos levou à desistência após mais de um ano no aguardo de um oftalmologista. "Desisti porque demorou muito tempo. Eu sentia muita dor no olho e eu tive de pagar a consulta. Foi mais de um ano, e eu peguei e paguei particular", disse. Falta em consultas chegam a 57 mil no SUS em Piracicaba; vagas perdidas poderiam ter zerado fila, diz Saúde Reprodução/EPTV VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.