Entenda como pandemia e abandono do tratamento ajudam a explicar alta de tuberculose em Campinas

Campinas registra 871 casos de tuberculose nos últimos três anos; 300 foram só em 2025 O número de casos de tuberculose em Campinas (SP) cresceram e chegara...

Entenda como pandemia e abandono do tratamento ajudam a explicar alta de tuberculose em Campinas
Entenda como pandemia e abandono do tratamento ajudam a explicar alta de tuberculose em Campinas (Foto: Reprodução)

Campinas registra 871 casos de tuberculose nos últimos três anos; 300 foram só em 2025 O número de casos de tuberculose em Campinas (SP) cresceram e chegaram a 300 em 2025. Em 2024, foram 290 registros da doença e 281 em 2023. Apenas em janeiro de 2026, a cidade contabiliza 29 novos casos. Segundo a Prefeitura de Campinas, dois fatores ajudam a explicar o avanço da doença: o abandono do tratamento e os reflexos da pandemia de Covid, que reduziram a procura por atendimento e atrasaram diagnósticos. A médica do Departamento de Vigilância em Saúde, Elda Motta, afirma que, durante os anos de pandemia, muitas pessoas deixaram de buscar atendimento, o que permitiu que casos não diagnosticados continuassem transmitindo a bactéria. Ela afirma ainda que hoje há um número maior de pacientes chegando aos serviços com quadros mais graves da doença. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça “Nesse período da pandemia, as pessoas não procuraram assistência. Houve aumento porque os casos não estavam sendo diagnosticados. Pessoas que não se trataram na época transmitiram isso, e a gente observa também diagnósticos em estado mais avançado”, diz Motta. Além da pandemia, fatores sociais também influenciam a vulnerabilidade das pessoas à doença. De acordo com a médica, moradias inadequadas e sem ventilação, muitas pessoas vivendo no mesmo espaço, alimentação insuficiente, tabagismo, consumo de álcool e uso de drogas aumentam o risco de adoecimento. Abandono do tratamento Imagem de arquivo de homem tossindo Reprodução/EPTV De acordo com a prefeitura, o tratamento dura no mínimo seis meses e exige acompanhamento regular. O esquema é definido pelo Ministério da Saúde e inclui a realização mensal do exame de escarro para monitorar a resposta ao tratamento e detectar precocemente possíveis resistências da bactéria que causa a tuberculose. Para tentar reduzir as desistências, Campinas informou que usa o Tratamento Diretamente Observável (TDO), em que profissionais de saúde acompanham de perto a tomada da medicação. O município também adotou o Tratamento Diretamente Observado por Vídeo (VDOT), um aplicativo desenvolvido pela USP que permite que o paciente registre em vídeo o momento em que toma o remédio, evitando deslocamentos até a unidade de saúde. Transmissão e sintomas A tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis e é transmitida pelo ar, principalmente pela tosse ou fala. Uma única pessoa com a doença pode transmiti-la para até 15 pessoas ao longo de um ano, segundo a prefeitura. O principal sinal de alerta é a tosse persistente por mais de três semanas, especialmente quando não há melhora. Outros sintomas incluem febre baixa, suores noturnos, cansaço e perda de peso. Diagnóstico em 24 horas Em caso de suspeita, os Centros de Saúde são a porta de entrada. As unidades realizam a coleta de escarro e o resultado fica pronto em 24 horas. O exame identifica a presença do bacilo em 90% dos casos e também aponta se a bactéria é resistente ao tratamento padrão, o que permite ao médico ajustar o esquema terapêutico. Os endereços e horários de funcionamento dos Centros de Saúde podem ser consultados no site da Prefeitura. Imagem de arquivo mostra atendimento médico com estetoscópio Reprodução/EPTV VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.