Jovem quebra tabu e se torna única mulher na área operacional de funerária em Presidente Prudente

Conheça a primeira mulher como agente funerária motorista em Presidente Prudente As mulheres sempre tiveram capacidade de conquistar novos espaços, seja por ...

Jovem quebra tabu e se torna única mulher na área operacional de funerária em Presidente Prudente
Jovem quebra tabu e se torna única mulher na área operacional de funerária em Presidente Prudente (Foto: Reprodução)

Conheça a primeira mulher como agente funerária motorista em Presidente Prudente As mulheres sempre tiveram capacidade de conquistar novos espaços, seja por oportunidades oferecidas ou criadas por iniciativa própria. Em Presidente Prudente (SP), porém, a história de Maria Eduarda Bataliotti, de 27 anos, se torna única. Ao g1, a jovem conta (e demonstra) que há espaço para as mulheres em qualquer ambiente. Há dois anos, ela trabalha como agente funerária operacional, que vai desde a preparação dos entes até motorista dos cortejos e apoio às famílias. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Ela é, até hoje, a primeira e a única mulher na área operacional em Presidente Prudente. O interesse pela profissão surgiu aos 24 anos, quando ela ainda não sabia se faria técnico em enfermagem ou fonoaudiologia. "Eu ia assistir à aula experimental e, mexendo na internet, vi o curso de ciências mortuárias, que fala tudo sobre o pós-óbito. Foi algo que me despertou o interesse. Não assisti ao curso de enfermagem e escolhi o outro. Assisti a todas as matérias por EaD." LEIA MAIS: 'HISTÓRIAS QUE INSPIRAM': conheça mulheres que fazem a diferença no oeste paulista Durante o curso, Maria Eduarda estudou disciplinas como cremação, anatomia e preparação de corpos para o pós-morte. Após meses de aprendizado, em 2023, concluiu o curso e decidiu se candidatar a vagas na área em funerárias da região. Maria Eduarda Bataliotti, de 27 anos, trabalha como agente funerária operacional e motorista em Presidente Prudente (SP) Beatriz Jarins/g1 'Dou conta de tudo' Maria Eduarda trabalhou como frentista e permaneceu na função por um ano após se formar. A oportunidade de atuar na sua área de formação surgiu depois de uma entrevista no Grupo Athia, em Presidente Prudente. "Eu ia ser a primeira mulher, então, a intenção era quebrar esse tabu e trazer eu, como mulher, também para encaixar nessa área", relembra. "Eu também me senti um pouco receosa, porque tudo era novo, mas entrei com cara e coragem. Às vezes existe ali um pouco de preconceito, mas você começa a mostrar o seu lado. É gratificante, né? Entrar e falar: 'Sou a única mulher e dou conta de tudo'." Mas o vínculo com o contexto fúnebre já estava presente na trajetória de Maria Eduarda. Um dos motivos para cogitar a enfermagem foi o interesse em atuar em equipes de resgate em rodovias. "O agente funerário tanto prepara (o corpo) como busca o óbito onde ocorrer, seja rodovia ou residência", afirma. Desde que começou na área, Maria Eduarda atua como motorista, conduzindo tanto a retirada do ente querido no local do óbito quanto os cortejos funerários em carros tipo limousines. "Agora eu foco um pouco mais no atendimento à família, no acolhimento. Saio um pouco menos, mas, como eu trabalho de madrugada, eu consigo ajudar em tudo, a preparar, fazer maquiagem, auxiliar", continua. Quando as pessoas percebem a presença de Maria Eduarda, seja nos velórios ou sepultamentos, o sentimento é de surpresa ao saber que ela trabalha como agente funerária. "Mesmo durante o dia, quando eu dirigia aquele carrão e chegava no sepultamento, descia do carro, todo mundo olhava e falava: 'É você quem está dirigindo?'. Porque muitas pessoas desacreditam que você consegue ter aquele potencial." Maria Eduarda Bataliotti, de 27 anos, trabalha como agente funerária operacional e motorista em Presidente Prudente (SP) Beatriz Jarins/g1 Apoio da família Mãe de duas meninas, de cinco e 11 anos, Maria Eduarda conta que os casos que mais a comovem são os que envolvem crianças. "Abala bastante, principalmente a gente que é mãe, em que, no atendimento, eu lido 100% com a família." A profissão de Maria Eduarda trouxe outro significado para como ela lida com a rotina. "A vida é tão curta… a gente deixar de conversar com a pessoa por alguma coisa que não é com você, então deixa isso para lá. Eu comecei a ser dessa forma." Além da influência na vida da própria profissional, a família de Maria Eduarda, que a apoiou desde o início, também é impactada de maneira positiva. A filha mais velha, por exemplo, diz que sente orgulho da área escolhida pela mãe e compartilha com outras crianças. "Ela me abraça e fala assim: 'Mãe, todo mundo acha incrível a sua profissão'. Quando eu chego, ela pergunta: 'Como foi seu dia de trabalho? Morreu muita gente?'", relembra. Mesmo com pouco tempo de prática, em comparação aos colegas, que somam mais de décadas na área, Maria Eduarda conquistou a promoção de fazer o apoio às famílias após um ano efetivada e quer conquistar novos espaços. "Pretendo subir de cargo pelo meu mérito. Estar onde eu mereço estar", finaliza. Maria Eduarda Bataliotti, de 27 anos, trabalha como agente funerária operacional e motorista em Presidente Prudente (SP) Beatriz Jarins/g1 Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM