'Laboratório do futuro': UFSCar de Sorocaba testa quais sementes sobreviverão às mudanças climáticas

Laboratório da UFSCar em Sorocaba testa quais sementes de árvores resistirão ao clima Em meio ao aumento das temperaturas no planeta, um laboratório de seme...

'Laboratório do futuro': UFSCar de Sorocaba testa quais sementes sobreviverão às mudanças climáticas
'Laboratório do futuro': UFSCar de Sorocaba testa quais sementes sobreviverão às mudanças climáticas (Foto: Reprodução)

Laboratório da UFSCar em Sorocaba testa quais sementes de árvores resistirão ao clima Em meio ao aumento das temperaturas no planeta, um laboratório de sementes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), localizado no campus de Sorocaba (SP), tem desempenhado um papel fundamental para entender o futuro das florestas do Brasil. No local, espécies nativas passam por testes rigorosos para avaliar se conseguirão sobreviver às mudanças climáticas nas próximas décadas. Logo na entrada do laboratório, prateleiras com amostras vindas de diferentes regiões do país mostram a dimensão do trabalho. Ao g1, Lindomar Alves de Souza, doutor em planejamento e uso de recursos renováveis, engenheiro florestal e pesquisador em propagação de espécies nativas, explicou como funciona o espaço. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp “Aqui nós temos aproximadamente 250 espécies que vão desde o Xingu [parque indígena no Mato Grosso] até o interior de São Paulo. Quando elas chegam aqui, a primeira pergunta é: quais espécies resistirão ao futuro climático do planeta? Nós colocamos essas espécies em diferentes temperaturas, como 40°C, 35°C e 25°C, para entender como elas vão responder ao aumento global. Será que vão permanecer no sistema daqui a alguns anos?”, questiona o pesquisador. Laboratório de Sementes e Mudas Florestais da UFSCar Sorocaba Fabrício Rocha/g1 A ideia vai além de apenas observar o presente, o objetivo é projetar cenários. “A ideia é testar espécies sensíveis e fazer um planejamento de longo prazo”, comenta. Ainda segundo o pesquisador, o trabalho busca entender se, daqui a 50 ou 100 anos, a semente vai germinar com esse aumento de temperatura. LEIA TAMBÉM: Centro de Sorocaba é até 4,5°C mais quente que área de vegetação natural, aponta pesquisa: 'Aumento significativo de ilhas de calor' Projeto da UFSCar Sorocaba estimula protagonismo indígena no ensino superior: 'Integrantes da sociedade moderna' UFSCar de Sorocaba tem o primeiro observatório astronômico da região Assim que chegam ao laboratório, as sementes passam por uma triagem rigorosa. Sementes quebradas, vazias ou sem qualidade são descartadas. Apenas as que apresentam potencial seguem para análise. “A seleção é primordial. É o momento em que garantimos que apenas sementes de qualidade vão para os testes”, destaca Lindomar. Depois dessa seleção, feita com muito cuidado, elas seguem para o teste de germinação, realizado tanto no papel quanto na vermiculita — um tipo de substrato semelhante à areia. A comparação entre os dois métodos permite identificar qual apresenta o melhor desempenho para cada espécie. “O produtor precisa saber se coletou no momento certo e se o processo foi bem feito. O índice de germinação indica isso e impacta diretamente na qualidade e no valor da semente”, explica. Na primeira imagem técnica usada com germinação com vermiculita; na segunda imagem é a técnica de germinação com papel Fabrício Rocha/g1 Depois disso, os resultados são devolvidos aos produtores, que replicam os processos em seus próprios viveiros. A maioria desses testes segue protocolos existentes e descritos em manuais técnicos. Mas nem sempre é assim. Quando uma espécie ainda não tem parâmetros definidos, o próprio laboratório desenvolve um método. “Quando não encontramos na literatura, criamos nosso protocolo, publicamos e isso vira referência para outros laboratórios. Esse processo também contribui para o avanço científico, inclusive com a descoberta de novas espécies”, afirma o pesquisador. Miniestacas: clonagem natural para acelerar a restauração Outro projeto importante desenvolvido pelo pesquisador é o de miniestaquia, uma técnica que permite replicar plantas a partir de pequenos fragmentos. Initial plugin text “Nesse sistema, brotos de plantas matrizes são coletados, preparados e levados para ambientes controlados, onde temperatura e umidade favorecem o enraizamento. As miniestacas têm entre 5 e 8 centímetros e são mantidas em condições ideais. Isso facilita a reprodução da espécie em larga escala”, explica Lindomar. Essa técnica, já comum no cultivo de eucalipto, vem sendo adaptada para espécies nativas, com grandes resultados. Pesquisador Lindomar Alves de Souza faz parte do Laboratório de Sementes e Mudas Florestais (LASEM) da UFSCar Sorocaba Fabrício Rocha/g1 “Um dos destaques é a Trema micrantha, que apresentou mais de 75% de taxa de enraizamento. Em cerca de 120 dias, as mudas já podem ser levadas para o plantio. É uma espécie de rápido crescimento, atrai fauna e ajuda na restauração de áreas degradadas. Além disso, tem potencial medicinal em estudo”, diz. Lindomar ressalta ainda que, entre testes, protocolos e inovação, o laboratório funciona como uma espécie de previsão científica das florestas brasileiras, buscando entender como cada espécie reage às mudanças climáticas. “Com esse laboratório, ajudamos a orientar projetos de reflorestamento e conservação. Pois o que está em jogo vai muito além da germinação de sementes, mas da sobrevivência de várias espécies e ecossistemas”, finaliza. Veja mais fotos sobre a pesquisa *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM