Operação Fallax: alvos de esquema de fraudes bancárias são liberados pela Justiça, diz delegado da PF

Alvo apontado como chefe do esquema de fraudes bancárias se entrega à PF, em Piracicaba A Justiça liberou, nesta terça-feira (31), 18 investigados que foram...

Operação Fallax: alvos de esquema de fraudes bancárias são liberados pela Justiça, diz delegado da PF
Operação Fallax: alvos de esquema de fraudes bancárias são liberados pela Justiça, diz delegado da PF (Foto: Reprodução)

Alvo apontado como chefe do esquema de fraudes bancárias se entrega à PF, em Piracicaba A Justiça liberou, nesta terça-feira (31), 18 investigados que foram presos durante a Operação Fallax, deflagrada na última quarta (25) pela Polícia Federal (PF) para combater um esquema de fraudes bancárias. Outros três suspeitos seguem foragidos. A informação foi confirmada pelo delegado da PF Florisvaldo Emílio das Neves ao g1. Ainda segundo ele, as apurações seguem normalmente, com análise de documentos apreendidos e dados fiscais e bancários. Caso haja necessidade, os alvos que forem localizados poderão prestar depoimento. Um dos liberados é Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, conhecido como Ralado. O morador de Americana (SP) é apontado como um dos líderes do esquema. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Leia também: De gerentes a falsificadores: saiba quem é quem no esquema de fraudes bancárias Suspeitos usaram até mãe e filha como 'laranjas', aponta PF Polícia apura relação de investigador de Americana com chefe de esquema de fraudes Empresário apontado como chefe de esquema de fraudes é levado para presídio de Piracicaba Quem são os três alvos da Operação Fallax que seguem foragidos Investigação Thiago "Ralado", preso pela PF suspeito de chefiar esquema de fraudes bancárias Victor Hugo/EPTV De acordo com as investigações, a organização praticava fraudes bancárias mediante o uso de empresas de fachada, “laranjas” e cooptação de agentes do sistema financeiro. Pessoas eram pagas com importâncias consideradas “ínfimas”, como R$ 150 e R$ 200, para emprestar o nome. Gerentes de banco também recebiam “comissões” como pagamento por participarem do esquema. Conforme apurou a PF, o grupo abriu múltiplas contas bancárias e celebrou contratos de empréstimo milionários. Já foram identificadas movimentações de, pelo menos, R$ 47 milhões. As apurações resultaram em 21 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Na última quarta, dia da operação, 15 pessoas foram presas. Já na última sexta (28), outras três pessoas se apresentaram na delegacia da PF em Piracicaba (SP), entre elas Ralado. Os 18 presos só foram liberados nesta terça. Outros três alvos seguem foragidos: Ariovaldo Alves de Assis Negreiro Junior, de Osasco (SP); Igor Gustavo Martins Avela, de São Paulo (SP); e Carlos Ramiro Rodrigues, de Rio Claro (SP). O g1 não conseguiu localizar as defesas. Além dos 21 que tiveram prisão decretada, há outros 12 suspeitos, que foram alvos apenas de mandados de busca e apreensão. Entre eles, está Rafael Ribeiro Leite Góis, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor. Sua defesa afirmou que vai prestar esclarecimentos necessários às autoridades assim que tiver acesso ao conteúdo da investigação. Núcleos do esquema PF de Piracicaba investiga esquema de fraudes bancárias Victor Hugo/EPTV O esquema tinha quatro núcleos, que eram divididos da seguinte forma: Bancário: responsável pela viabilização de abertura de contas, concessão de crédito e fornecimento de informações internas. Contábil: atuava na elaboração de documentos para pedidos de crédito, como declarações fiscais, demonstrações contábeis, comprovantes de endereço. Financeiro: fazia a gestão de contas bancárias em nome de “laranjas”, emissão e pagamento de boletos, controle de máquinas de cartão e a realização de transferências. Cooptação: responsável por cooptar potenciais "laranjas", ou seja, identificava e aliciava pessoas para figurarem como sócios de empresas. Essa estrutura teria permitido a constituição reiterada de pessoas jurídicas, a abertura de múltiplas contas bancárias e a celebração de contratos de empréstimo milionários. 🔎 Raio X da operação Quantos mandados foram expedidos? — A operação teve 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Quantas pessoas estão presas e foragidas? — 18 pessoas estão presas e outras três estão foragidas. O que foi apreendido? — Computadores, documentos e aparelhos celulares relacionados à operação. Quebra de sigilo e bloqueio de bens — Foi determinado o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões. Foram autorizadas ainda medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas. Qual crime é investigado? — Segundo a PF, eram realizadas fraudes bancárias de instituições financeiras. O esquema envolvia a abertura de contas com empresas fictícias com a utilização de nomes de laranjas e até de pessoas que nem existem. Pessoas eram pagas com importâncias consideradas ínfimas (R$ 150, R$ 200) para emprestar o nome ao esquema. Quantas empresas conseguiram financiamento? — 172 empresas conseguiram obter financiamentos em várias instituições financeiras. Foram identificadas movimentações de pelo menos R$ 47 milhões. Como eles dificultavam o rastreamento? — Segundo a PF, a organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos, e cooptava funcionários de instituições financeiras. Os funcionários inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas, e esses valores eram convertidos em bens de luxo e criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento. Valores totais fraudados — As fraudes investigadas podem alcançar valores superiores a R$ 500 milhões. 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