Prefeitura de SP contrariou as próprias regras ao liberar megabloco com Calvin Harris, marcado pela superlotação
Ministério Público de SP abriu investigação sobre superlotação em blocos de rua na capital A Prefeitura de São Paulo vetou a inscrição de novos blocos ...
Ministério Público de SP abriu investigação sobre superlotação em blocos de rua na capital A Prefeitura de São Paulo vetou a inscrição de novos blocos nos períodos do pré e pós-carnaval em 2026, mas abriu uma exceção para o Bloco Skol, comandando pelo DJ Calvin Harris. O desfile aconteceu no domingo (8) na Rua da Consolação, no Centro da cidade, e foi marcado por superlotação e tumulto. Segundo o Guia de Regras e Orientações do Carnaval, da prefeitura, "não serão aceitas novas inscrições para os períodos do Pré e Pós-Carnaval em nenhuma região da Cidade. Para os desfiles fora do Calendário Oficial do Carnaval de Rua 2026, as exceções serão avaliadas pela Comissão Especial de Organização do Carnaval de Rua 2026". Procurada, a administração municipal não informou o motivo da autorização do bloco até a última atualização da reportagem. Tradicionalmente, o domingo de pré-carnaval na Rua da Consolação é reservado ao Acadêmicos do Baixo Augusta, que costuma atrair mais de 1 milhão de foliões. Neste ano, no entanto, o bloco teve de dividir o espaço com o Bloco Skol, com horários de concentração separados por apenas três horas. Para viabilizar a organização do evento, a prefeitura abriu ainda outra exceção e autorizou o Baixo Augusta a desfilar até as 19h — uma hora além do limite máximo previsto, que é 18h. A ampliação dos horários dos desfiles, inclusive no período noturno, é uma reivindicação antiga dos blocos de rua tradicionais da capital paulista. LEIA TAMBÉM: Prefeitura vai ampliar saídas e colocar agentes dentro de trios após superlotação VÍDEO: foliões invadem escola e são agredidos por policiais com golpes de cassetete A superlotação no desfile do Bloco Skol provocou confusão generalizada FELIPE MARQUES/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Superlotação e tumulto A superlotação no bloco Skol causou tumulto e fez com que dezenas de foliões precisassem ser socorridos após passarem mal na Rua da Consolação. Um vídeo feito por Ana Maria Arruda Andrade Pires e enviado ao g1 mostra o momento em que uma grade foi derrubada. Houve empurra-empurra entre os foliões e gritaria. Nas imagens, é possível ver pessoas caindo no chão e ambulantes perdendo mercadorias. A coordenadora de marketing Lara Faria, de 27 anos, foi uma das folionas que se machucaram e viveram momentos de pânico durante o bloco. Comecei a escalar o poste e subi em cima do semáforo. Fiquei esperando um tempo até acalmar. Eu olhava para baixo e via as pessoas passando mal abaixo, sendo empurradas. Quando deu uma melhorada, eu desci. Na adrenalina do momento, não senti nada, mas na hora que desci, vi que estava com a perna toda ralada. Foi desesperador, foram cenas de filme de terror, Na segunda-feira (9), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou como "um sucesso" o primeiro final de semana de pré-Carnaval na capital paulista. "Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso", disse à GloboNews, após ser questionado sobre os eventos de domingo, incluindo as confusões nos grandes blocos. Ao falar sobre a superlotação e o atendimento dos feridos durante o bloco Skol, do escocês Calvin Harris, na Rua da Consolação, o prefeito disse que "nenhum caso foi considerado muito grave". MP abre inquérito para investigar superlotação O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito preliminar para apurar a superlotação nos blocos de carnaval que desfilaram no domingo na Rua da Consolação. Por meio de nota, a Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital informou que “instaurou procedimento para apurar a superlotação do bloco de carnaval ocorrido neste domingo (09) na Rua da Consolação”. Parlamentares da oposição, como o vereador Nabil Bonduki (PT) e a deputada federal Érika Hilton (PSOL), acionaram o MP-SP para investigar a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) pela organização do carnaval de rua da cidade, que está sob responsabilidade da SPTuris. “Estou acionando o Ministério Público para que seja realizada, em caráter de urgência, uma reunião entre a Prefeitura, a Polícia Militar e os demais envolvidos na organização do carnaval de rua. Cenas como as de hoje não podem se repetir nos próximos desfiles”, afirmou o vereador, que é urbanista e professor da Universidade de São Paulo (USP). “Essa prévia de tragédia não pode se repetir, e é fundamental identificar e responsabilizar quem permitiu que essa situação ocorresse. Interesses comerciais não podem ficar acima da segurança da população”, declarou o petista nas redes sociais. Novos vídeos mostram confusão com foliões no quartel dos bombeiros em SP LEIA MAIS: 'Não dá para ter 1,5 milhão de pessoas na Consolação', diz Tarcísio após tumultos no pré-carnaval de SP Superlotação em bloco com Calvin Harris em SP provoca tumulto, foliões passam mal e PM intensifica efetivo Erika Hilton (PSOL) e a vereadora Amanda Paschoal (PSOL) também protocolaram representação no MP-SP pedindo a investigação do prefeito por "gestão temerária na organização do carnaval de rua de 2026". Segundo o documento, "a gestão municipal autorizou de forma consciente a realização de dois megablocos no mesmo local e horário, apesar de alertas prévios sobre os riscos da sobreposição". As parlamentares afirmam que a decisão contrariou a lógica de segurança e organização do espaço urbano e o contrato de patrocínio do carnaval de rua "permitiu que a empresa patrocinadora explorasse comercialmente o evento e negociasse cotas com outras marcas, enquanto a cidade recebeu apenas o valor mínimo previsto no edital". Para as autoras, isso indica má gestão de um evento público de grande porte, com prejuízo potencial aos cofres municipais e impacto direto na estrutura e na segurança da festa. O que diz a Prefeitura de SP O g1 procurou a Prefeitura de SP para comentar o inquérito do MP-SP e, por meio de nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirmou que "o final de semana de pré-Carnaval com 182 blocos desfilando sábado e domingo em toda a cidade foi um sucesso, sem incidente grave envolvendo os foliões". Segundo a gestão municipal, o desfile do DJ Calvin Harris, domingo, "aconteceu durante todo o percurso da Rua da Consolação seguido por milhares de pessoas em clima de festa. O plano de contingência foi acionado diante da superlotação, e forças de segurança da GCM e da PM atuaram e controlaram a situação. O bloco seguiu até o centro da cidade e as cinco pessoas que receberam atendimento nos postos da Prefeitura foram levadas para hospitais da região. Todas já foram liberadas", disse. Superlotação em bloco com Calvin Harris em SP provoca tumulto e foliões passam mal Apesar da justificativa, a gestão municipal afirmou que fará mudanças na gestão dos desfiles para evitar a repetição das cenas vistas no último domingo (8). "Para garantir que o desempenho dos blocos não afete os desfiles, a administração terá, a partir dos próximos megablocos, agentes da Prefeitura dentro dos trios para evitar eventuais transtornos com a dinâmica do Carnaval de rua. Além disso, ficaram definidas novas medidas de segurança em alguns dos circuitos. Na região do Parque do Ibirapuera, os foliões contarão com mais duas áreas de saída, uma pelo estacionamento do prédio da Assembleia Legislativa e outra pela Rua Abílio Soares. Haverá também reposicionamento dos postos de saúde para outras áreas dentro do próprio circuito, sem qualquer prejuízo aos atendimentos que contam com 960 profissionais dedicados durante todo o Carnaval", afirmou a prefeitura. O município também afirma que "6,4 mil GCMs estão destinados ao policiamento no Carnaval de 2026, 20% a mais que no ano passado". "Os circuitos dos megablocos contam ainda com 482 câmeras do Smart Sampa e 23 drones para monitoramento durante todos os desfiles", informou. O que diz o prefeito Foliona escalar semáforo para fugir de multidão em bloco do Calvin Harris em SP Em conversa com a GloboNews nesta segunda-feira (9), o prefeito Ricardo Nunes também classificou o pré-carnaval como "um sucesso" mesmo diante dos problemas registrados. "Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso", disse o prefeito, após ser questionado sobre o primeiro fim de semana de carnaval oficial. Ao falar sobre a superlotação e o atendimento dos feridos durante o bloco Skol, o prefeito disse que "nenhum caso foi considerado muito grave". "Em grandes eventos, como foi o caso da Ivete Sangalo [ocorrido no sábado, 7], sempre fazemos avaliações para melhorar." De acordo com Nunes, a infraestrutura montada pelo poder público, incluindo o aparato de segurança e de saúde para atender os foliões, "foi perfeita". O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), durante a Expo Favela. Fernando Frazão/Agência Brasil O prefeito reagiu à nota do Baixo Augusta, que cobrou mais organização para o pré-carnaval de São Paulo. "Com a grande quantidade de público no bloco da Skol, sem que tivesse grandes ocorrências devido ao trabalho da prefeitura e Polícia Militar, ele deveria é reconhecer, bem como reconhecer também que o público do Calvin ficou para curtir o bloco dele. Os blocos desfilaram em horários diferentes, primeiro o Skol e depois o Baixo Augusta", justificou o prefeito. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta segunda (9) que "não dá para ter 1,5 milhão de pessoas na Consolação" e que o carnaval de rua de São Paulo"está cada vez mais concorrido". Na avaliação do governador, a prefeitura e a Polícia Militar de São Paulo "agiram muito rápido na remoção de gradis, interrupção de ruas e liberação das transversais. Isso permitiu o escoamento das pessoas" (veja mais aqui). Superlotação gera confusão em bloco de Calvin Harris e Baixo Augusta, na rua da Consolação Na nota, o Baixo Augusta afirma que teve seu cortejo "desrespeitado de forma triste e violenta". “É uma imensa falta de organização e o não cumprimento dos horários acordados. Com 17 anos de história, o maior bloco da cidade e um dos maiores do Brasil foi desrespeitado de forma triste e violenta, mostrando a todos uma prova clara da falta de competência para realizar o que foi proposto e do compromisso da cidade com os blocos que recriaram o carnaval de São Paulo”, diz o texto O que diz a PM "A Polícia Militar informa que, em razão da superlotação na Avenida da Consolação, diversas estratégias foram adotadas a partir da Sala de Gerenciamento de Incidentes, instalada no COPOM da Polícia Militar. O local vem sendo acompanhado em tempo real por meio de imagens aéreas, tanto do helicóptero da Polícia Militar quanto de drones. Os órgãos parceiros, como Metrô, CET, Prefeitura, GCM e demais instituições envolvidas, estão presentes na Sala de Gerenciamento de Incidentes, o que permite a coordenação integrada das ações. Com base na observação aérea e nessa atuação conjunta, medidas foram adotadas para garantir a fluidez e a segurança dos foliões. Até o momento, não há registro de feridos". Superlotação em bloco com Calvin Harris causou confusão FELIPE MARQUES/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Superlotação no desfile do Bloco Skol provocou confusão generalizada FELIPE MARQUES/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO