Presidente da União Imperial revela bastidores do título no Carnaval de Santos, nos 50 anos da escola

Carnaval de Santos 2026: Confira como foi o desfile da escola de samba União Imperial Após quatro vice-campeonatos consecutivos, a escola de samba União Impe...

Presidente da União Imperial revela bastidores do título no Carnaval de Santos, nos 50 anos da escola
Presidente da União Imperial revela bastidores do título no Carnaval de Santos, nos 50 anos da escola (Foto: Reprodução)

Carnaval de Santos 2026: Confira como foi o desfile da escola de samba União Imperial Após quatro vice-campeonatos consecutivos, a escola de samba União Imperial sagrou-se campeã do Carnaval de Santos, no litoral de São Paulo. O título, o 11º da escola, chegou no ano em que a agremiação completa 50 anos de história. Ao g1, o presidente Luiz Alberto Martins, conhecido como Pelé, de 62 anos, revelou os detalhes e desafios da preparação para o desfile que teve como enredo ‘Consagração em Orixá: Renascer em União é a Chave da Vida' e trouxe à Passarela do Samba Dráuzio da Cruz musas nacionais, como a rainha das rainhas, Viviane Araújo, e a loira do Tchan, Sheila Mello. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. A União Imperial foi a primeira escola a entrar na avenida pelo Grupo Especial em 2026. O fato, que pode ser visto como um desafio no mundo do samba, não atrapalhou a organização da agremiação, que levou para passarela muita espiritualidade e impressionou o público com o carro abre-alas (veja no topo da reportagem). Presidente da União Imperial, Luiz Alberto falou sobre o título do Carnaval 2026 Sílvio Luiz/A Tribuna Jornal A escola surgiu em 1976, quando o bairro Marapé não tinha mais blocos carnavalescos e a comunidade buscou o samba em outros lugares. Na época, os moradores frequentavam as agremiações Brasil e Império do Samba, e foram convidados para integrar o desfile de um bloco do bairro Vila Mathias. O sucesso da apresentação reacendeu na comunidade do Marapé o desejo de ter um reduto próprio de samba. O nome União Imperial foi escolhido pela ‘união’ entre as comunidades do Marapé e da Vila Mathias e pela ligação com a antiga agremiação Império do Samba. Pelé contou que se aproximou da escola por influência de amigos do bairro Marapé, onde mora. Ele passou a integrar a administração em 2006, como tesoureiro. De lá para cá, foram anos de dedicação à agremiação verde e rosa, sendo sete como presidente. Ao g1, ele contou que ainda há muitos sonhos a se realizar pela escola. Confira a entrevista completa: As cores da União Imperial são em homenagem à Estação Primeira de Mangueira, mas o símbolo da águia foi escolhido por conta da escola Portela. Ou seja, como o nome diz, a escola tem a união na essência. Hoje em dia, apesar de ser afilhada da Mangueira, as referências seguem vindo de diversos lugares? Sim. Hoje em dia, com a internet e com tudo, a gente procura trazer as novas e boas práticas de vários lugares. Isso é normal. O que a gente pode ver de bom em outros lugares a gente traz e tenta implantar. Nem sempre dá certo, mas tentamos. A escola surgiu da união entre as comunidades do Marapé e Vila Mathias e pela ligação com a antiga escola Império do Samba, certo? Atualmente, essa sintonia segue com outras agremiações ou há rivalidade? Na verdade, a disputa é só ali na avenida, porque, no Carnaval, as escolas de samba precisam estar juntas para cada vez melhorar a estrutura e os recursos. Então que eu falo: É difícil ganhar um Carnaval, mas as escolas têm que ser, como se fala... coirmãs. Lógico que existe a rivalidade das torcidas, como existe no futebol, mas entre as escolas não podem ter isso não. União Imperial foi a campeã do Carnaval de Santos, SP Silvio Luiz/A Tribuna A União Imperial bateu na trave nos últimos quatro anos, quando conquistou vice-campeonatos do carnaval santista. O que mudou neste ano para a conquista do primeiro lugar? Na verdade, para ser sincero, não mudou nada na postura da escola, porque ela foi campeã em 2018 e 2019. E, nesses quatro anos em que foi vice-campeã, poderia ter sido campeã. É que, dessa vez, deu certo. Mas uma escola como a União Imperial sempre vai estar disputando ali [no pódio]. Nem sempre vai ganhar, mas vai estar sempre disputando. Antes do desfile, o senhor deu uma entrevista falando sobre tentar evitar contratempos na passarela. Foi isso que fizeram? Todas as escolas, de um Carnaval para o outro, elas procuram analisar e trabalhar nos detalhes, porque os componentes precisam cantar, precisam estar bem-vestidos, precisam entender que estão na passarela para disputar. É uma disputa que tem regras e nem sempre os componentes acham isso. Muita gente acha que vai para avenida para festa, põe um relógio, um celular e a escola acaba perdendo ponto por detalhes bestas. Então é esse cuidado que todo mundo tem que ter. Carnaval 2026 em Santos: União Imperial trouxe fantasias ricas em cores, símbolos e referências às religiões de matriz africana na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz Alexsander Ferraz Como foram os ensaios e preparativos para o desfile em homenagem ao cinquentenário da escola? Os ensaios eram terças e quintas. Começaram em meados de setembro, foram mais ou menos uns 37 ensaios, fora os ensaios de rua e o ensaio técnico lá na avenida. Então foi uma preparação muito forte. É o que falei, preparar os componentes para entrar na avenida seguindo todas as regras que a gente precisa seguir para poder ganhar o Carnaval. E em relação aos carros alegóricos. Como são os preparativos? É uma preparação muito forte. A primeira coisa que a gente começa a fazer depois de elaborar um enredo é preparar os figurinos, os desenhos e aí começar a montar os carros, que é muito trabalhoso. Tem a parte de ferragem, a parte de madeira, a parte de decoração, a parte de iluminação, a parte de logística, uma série de coisas que tem que fazer até chegar no dia da do desfile. Então é uma parte muito trabalhosa e envolve muita gente. O senhor disse que o enredo é o primeiro passo de uma preparação para o Carnaval. Como o enredo 'Consagração em Orixá: Renascer em União é a Chave da Vida' foi escolhido? A conversa sobre o enredo foi muito demorada porque a gente tinha uma preocupação de falar dos 50 anos da escola, mas a gente não queria falar exatamente dos 50 anos só, porque envolve muita coisa e a gente poderia cometer erros. Então, foi elaborado pelo carnavalesco e pelo Lúcio Nunes. Eles que montaram o enredo, eles resolveram trazer a espiritualidade da escola desde os ancestrais e inserir junto com a história da escola. Por isso que deu essa junção muito legal. Houve algum desafio na preparação antes do desfile? Todo ano as escolas de samba enfrentam um grande desafio que é a parte financeira, que é muito difícil. Então as escolas têm que se reinventar, reciclar, pedir ajuda para os integrantes. O maior desafio das escolas de samba é esse, porque o Carnaval é muito caro, e a gente não tem tantos recursos para fazer o Carnaval. E aí, o que acontece? A gente tem que recorrer à ajuda dos amigos ou das pessoas se doarem voluntariamente para trabalhar, essas coisas todas. Então isso é um desafio muito grande. Falando nesse assunto, qual investimento médio da escola para o desfile, entre roupas, carros alegóricos, etc.? Eu não consigo estimar agora. A gente recebe R$ 232 mil da prefeitura, da verba, e a gente tem que gastar um pouco mais. Então a gente tem que fazer evento, buscas patrocínio, buscar ajuda. E esses eventos ocorrem onde? A gente tem quadra para isso. Por exemplo, a gente tem uma ala “Amigos da União”, que eles fazem eventos para pagar as roupas dos casais. Eles fazem churrascada. A gente vai criando algumas oportunidades. Tem um parceiro que ajuda na bateria. Senão, a gente não consegue fazer o Carnaval. Mas tem alguma média de valor que dá para estimar? Uns R$ 350 mil. A União Imperial levou à passarela grandes musas do cenário nacional, como Viviane Araújo e Sheila Mello. Como foi feito o convite e qual a importância da participação dessas artistas? Tanto uma, como a outra, já tinha desfilado na União. Então elas já têm uma familiaridade com a gente, é muito mais fácil de trazê-las. E elas também são uma parte do recurso financeiro que a gente consegue. Quando a gente traz na quadra, o ensaio lota e a gente consegue fazer algum dinheiro para ajudar no nosso Carnaval, sem contar que na avenida elas são deslumbrantes. Viviane Araújo e Sheila Mello desfilaram pela União Imperial no Carnaval de Santos Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal A Viviane Araújo, por exemplo, desfila no Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo. A presença dela auxilia a comunidade levando em consideração a experiência de outros carnavais? Ela engrandece muito o Carnaval, é a rainha das rainhas. Muita gente é fã dela e, para ela, também é importante participar do Carnaval de Santos, independentemente de ser na União Imperial ou em outra [escola]. Ela gosta muito de participar do Carnaval de Santos e é uma pessoa que vai chegar e falar bem do Carnaval daqui para o Rio de Janeiro e em qualquer lugar que estiver. Vai levar o nome tanto da União quanto do Carnaval de Santos. Para o senhor, qual o momento mais emocionante na avenida? Na avenida, todos os momentos são emocionantes. A gente se emociona na hora de entrar, fica tenso na hora que a escola está desfilando para dar tudo certo, para não ocorrer nenhum imprevisto de a escola se desestabilizar dentro da avenida. E quando passa da linha, que a gente vê que deu tudo certo, a gente fica emocionado. É assim, na escola de samba, você se emociona de várias maneiras até chegar na apuração e no resultado. Então, estou sempre com os nervos à flor da pele e a sensação da emoção muito forte em todos os sentidos. Ao todo, foram 1,5 mil componentes da União Imperial na passarela. Qual o maior desafio em presidir uma agremiação com tantas pessoas? O maior desafio é você conseguir agregar as pessoas, porque são pessoas diferentes de gênero, de nível social, de todos os aspectos. São várias diferenças e a gente tem que juntar tudo isso em prol de um objetivo só, a escola, o pavilhão, o desfile, a disputa. Então, é um desafio muito grande. A gente tem que saber agregar, tem que ser agregador, tem que ser pacificador, tem que ser enérgico quando tem que ser. Cada componente é parte essencial da engrenagem para tudo funcionar? A gente tem que estar sempre lidando com tratar bem as pessoas, independente da importância, porque no Carnaval, no desfile, todo mundo é importante. O cantor é importante, a Viviane Araújo é importante, mas o cara que está empurrando o carro também é tão importante quanto. Então quem está na ala da harmonia, quem é passista, quem é mestre-sala, todo mundo tem a mesma importância. Talvez, no desfile, quem tem menos importância é o presidente. Então a gente depende de todas essas pessoas. Se uma delas, uma que seja, se quiser fazer uma besteira porque está descontente e tal, ela pode estragar tudo. Então, você tem que fazer o teu time jogar por você. União Imperial comemorou título do Carnaval de Santos 2026 na quadra da escola Sílvio Luiz/A Tribuna Jornal Há algum segredo para manter a comunidade toda unida e motivada? Eu acho que é no trato, no dia a dia: a gente procura atender às necessidades das pessoas, disponibilizar a escola, estar sempre respondendo ao que elas querem ouvir. A gente não ter arrogância, não ter vaidade, nada disso. Saber, como eu falei, que todo mundo é importante. Então, procuramos fazer isso da melhor forma possível. Claro que não conseguimos agradar a todos, mas acredito que tenhamos agradado à maioria. E houve algum perrengue que aconteceu nos bastidores da apresentação? A gente tem muitos. Até a hora de a escola entrar na avenida é uma loucura: é destaque que está chegando atrasado para pôr no carro, é ala que ainda não se formou, é a formação da ala lá que o pessoal está disperso e a gente fica com medo de atrasar, as pessoas que não chegam no ônibus. Tem um monte de coisa. União Imperial foi a primeira escola do Grupo Especial a desfilar no primeiro dia do carnaval santista Alexsander Ferraz Como presidente da escola, como o senhor avalia a importância do 11º título do Carnaval de Santos para a União Imperial? É muito importante, ainda mais que é no cinquentenário da escola. Geralmente, as escolas que falam dos seus 50 anos não ganham o Carnaval e a gente ganhou. Com certeza, todo o grupo que trabalha comigo, toda a diretoria, todos os colaboradores vão ficar na história da escola, isso não tenho dúvida. Em uma palavra, como o senhor define o carnaval desse ano? Perseverança. Há algum sonho ainda não realizado pela escola? Qual? Ah, tem vários sonhos que a gente tem. Ter uma quadra mais estruturada, ter um barracão próprio. Essas coisas são importantes para as escolas estarem preparadas, porque isso é muito difícil no nosso dia a dia. A gente tem uma quadra boa, mas a gente precisa melhorar, quem sabe refrigerar, para quando a gente ter mais sonhos e, quando chegar num Carnaval, não ter que ficar pedindo as coisas para as pessoas, porque a gente não tem recursos. Então, é muito difícil. Então, os sonhos de uma escola de samba são esses. Carnaval 2026 em Santos: União Imperial trouxe 11 alas, um quadripé, três carros alegóricos e cerca de 1.500 componentes para a Passarela Dráuzio da Cruz Alexsander Ferraz VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos