Quais são e onde operam as empresas que venceram o leilão do transporte público de Campinas

Sancetur e Consórcio Grande Campinas vencem leilão para operar transporte público A empresa Sancetur e o consórcio Grande Campinas venceram o leilão de con...

Quais são e onde operam as empresas que venceram o leilão do transporte público de Campinas
Quais são e onde operam as empresas que venceram o leilão do transporte público de Campinas (Foto: Reprodução)

Sancetur e Consórcio Grande Campinas vencem leilão para operar transporte público A empresa Sancetur e o consórcio Grande Campinas venceram o leilão de concessão do transporte público de Campinas e serão responsáveis por operar os ônibus urbanos pelos próximos 15 anos, prorrogáveis por mais cinco anos. As operadoras apresentaram as menores tarifas de remuneração e ganharam a disputa pelos dois lotes (Norte e Sul) do sistema de transporte coletivo da cidade, nesta quinta-feira (5), na Bolsa de Valores de São Paulo. O g1 reuniu informações cadastrais das empresas por meio de consulta pública ao portal RedeSim, do governo federal, que disponibiliza dados como capital social e quadro societário. Parte das informações sobre atuação e histórico dos grupos também foi apresentada pelos próprios representantes das empresas após o leilão. Sancetur A Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda. venceu o Lote Sul, que atende as regiões Leste, Sul e Sudoeste, com bairros como Centro, Parque Oziel e Ouro Verde. Segundo dados da RedeSim, a empresa possui capital social de R$ 100 milhões. A companhia é administrada por Luiz Arthur Valverde Rodrigues Abi Chedid e tem como sócia a SOU Holding de Mobilidade Ltda. Representando a empresa após o leilão, Marco Chedid (pai de Luiz Arthur) afirmou que o grupo possui 6 mil funcionários e atua em 28 cidades brasileiras, sendo duas capitais: Rio de Janeiro e Palmas. O empresário possui histórico político na cidade. Marquinho Chedid, como é conhecido, foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Campinas, além de dirigente do time Ponte Preta. Marquinho Chedid discursa após Sancetur vencer leilão de concessão do Lote Sul do transporte público de Campinas Reprodução/B3 Em seu discurso de vitória, ele destacou a relação da família com o transporte na metrópole há 70 anos. "Meu pai começou como motorista de ônibus, meu tio cobrador e meu avô mecânico", mencionou o representante. Segundo ele, a empresa decidiu disputar a concessão também pelo vínculo com a cidade. “Eu vivo em Campinas há 50 anos (...) a população estava sofrendo muito em relação à qualidade do transporte”, disse Marquinho Chedid. Consórcio Grande Campinas O Consórcio Grande Campinas venceu o Lote Norte, que atende as regiões Norte, Oeste e Noroeste, com bairros como Barão Geraldo e Campo Grande. De acordo com os registros da RedeSim, a empresa líder do consórcio é a Rhema Mobilidade Ltda., que possui capital social de R$ 68,8 milhões. O sócio-administrador é Luciano Cristian de Paula. Também integram o grupo as empresas: Transporte Coletivo Grande Marília Ltda. Nova Via Transportes e Serviços Ltda. WMW Locação de Veículos e Serviços de Transportes Ltda. Auto Viação Suzano Ltda. Norival Prado, representante do consórcio Grande Campinas Reprodução/B3 Um dos representantes do consórcio, Norival Prado, afirmou que a empresa líder, Rhema Mobilidade, atua principalmente no transporte escolar em cidades o interior de São Paulo, como Fernandópolis, Paraibuna, e parte de Campinas. "Eles transportam aproximadamente quase 20 mil pessoas diariamente em Campinas, principalmente escolas de periferia", disse o representante do consórcio. Prado ainda mencionou que outras empresas do grupo atuam em cidades como Marília, Assis e Pompeia e possuem expertise para operar em Campinas. Próximos passos Apesar do resultado do leilão, as empresas ainda precisam cumprir uma série de etapas administrativas antes de assumir a operação do transporte público. ➡️O primeiro deles é as empresas demonstrarem que têm capacidade de operar com os novos custos, uma vez que, no leilão, as ofertas originais foram alteradas. Veja abaixo o passo a passo. Entrega das planilhas atualizadas: as empresas vencedoras têm 5 dias úteis, prorrogáveis por mais 5, para apresentar novas planilhas de custos. Esses documentos detalham todos os gastos da operação (frota, funcionários, manutenção, entre outros) ajustados ao valor final da tarifa ofertada no leilão, que foi reduzido durante os lances. Caso a empresa não comprove a viabilidade da tarira proposta, a segunda colocada pode ser convocada. Análise da Comissão de Licitação: que fará avaliação técnica das planilhas para verificar se a proposta é economicamente viável. Essa etapa não tem prazo definido. Publicação do julgamento: após a análise, será publicado o julgamento do resultado da licitação. Apresentação de recursos: a partir da publicação, abre-se um período de 3 dias úteis para que empresas apresentem eventuais recursos administrativos contestando o resultado. Homologação do processo: se não houver recursos (ou após a análise deles), ocorre a homologação da licitação, confirmando oficialmente os vencedores. Criação das empresas operadoras: o consórcio vencedor terá até 2 meses para constituir as Sociedades de Propósito Específico (SPEs) — empresas criadas exclusivamente para operar o transporte coletivo de Campinas. Assinatura do contrato: após a criação das SPEs, ocorre a assinatura do contrato de concessão com a prefeitura. Emissão da Ordem de Serviço: o poder público terá até 120 dias (90 dias mais 30) para emitir documento que autoriza oficialmente o início dos investimentos pelas concessionárias. Início da operação: a partir da ordem de serviço, as empresas terão até 180 dias para adquirir ônibus, estruturar garagens e preparar a operação, até disponibilizar a frota e iniciar o serviço no sistema de transporte coletivo. Leilão Prefeito de Campinas, Dario Saadi, bate o martelo em leilão de concessão do transporte público de Campinas Fernando Evans/g1 🚌O leilão concede o sistema de transporte coletivo convencional por 15 anos, prorrogáveis por mais cinco anos, com valor estimado de R$ 11 bilhões. De acordo com o edital, venceria a licitação a empresa ou consórcio que oferecesse a melhor proposta para o município; entre os critérios, estava a menor tarifa de remuneração. ⚠️ Tarifa de remuneração é o valor médio usado para calcular o repasse da prefeitura aos grupos que vão operar o transporte público de Campinas. Ele tem como base a quilometragem rodada e o tipo de ônibus que atenderá cada linha. Quatro consórcios e uma empresa participaram da sessão pública (saiba mais aqui). Veja abaixo as propostas vencedoras. A empresa Sancetur venceu o Lote Sul — que atende as regiões Leste, Sul e Sudoeste, com bairros como Centro, Parque Oziel e Ouro Verde. Ela ofereceu R$ 9,54 (deságio de 14,9%) para o valor de tarifa de remuneração, cujo teto estabelecido pelo edital foi de R$ 11,21. O consórcio Grande Campinas venceu o Lote Norte — que atende as regiões Norte, Oeste e Noroeste, com bairros como Barão Geraldo e Campo Grande. O grupo ofereceu R$ 9,49 (deságio de 19,3%) para o valor de tarifa de remuneração, cujo teto estabelecido pelo edital foi de R$ 11,76. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Nos dois casos, o resultado veio após a fase de leilão aberto, sendo a disputa pelo Lote Norte a mais acirrada. A sessão durou cerca de duas horas e contou com a participação prefeito de Campinas, Dário Saadi, do diretor-presidente da Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), Vinicius Riverete, do secretário municipal de Transportes, Fernando de Caires e outras autoridades. O representante da empresa Sancetur, Marco Chedid, acompanhado do filho Luiz Arthur Chedid, lembrou a história da família no transporte e afirmou melhorar a vida do usuário de ônibus de Campinas era um objetivo social. "Minha emoção é muito grande, eu já fui empresário de transporte, a minha família... há mais de 70 anos (...) meu avô, meu pai começou como motorista de ônibus e meu tio cobrador e meu avô mecânico. Então, isso marca muito. Mas a vibração maior é de mudar a história do transporte em Campinas", disse Marco Chedid, representante da Sancetur. Já o representante do consórcio Grande Campinas, Norival Prado, disse que tem a intenção de fazer uma metamorfose na história do transporte da metrópole. "Não olvidaremos esforços no sentido de darmos tudo o que há de melhor para que Campinas tenha um dos transportes mais alviçareiros [promissores] e maiores desse país", disse Norival Prado, representante do Consórcio Grande Campinas. O prefeito de Campinas, Dário Saadi, afirmou que o leilão da concessão do transporte coletivo marcou uma etapa importante ao registrar forte disputa entre quatro consórcios e uma empresa, com dezenas de lances nos dois lotes. Ele também criticou o modelo de financiamento do transporte público no Brasil e afirmou que o custo acaba recaindo sobre os municípios. Segundo ele, leis federais que garantem gratuidades e outros benefícios não vêm acompanhadas de recursos, obrigando as prefeituras a arcar com o subsídio para manter o sistema e evitar tarifas ainda mais altas. Propostas Leilão de concessão do transporte público de Campinas na B3, em São Paulo Fernando Evans/g1 Cinco grupos — quatro consórcios e uma empresa — participaram da sessão pública desta quinta, apresentando seis propostras (três em cada lote). Veja abaixo as propostas finais apresentadas pelas empresas para o menor valor da tarifa de remuneração em cada um dos lotes. ➡️ Lote Sul: regiões Leste, Sul e Sudoeste Sancetur – Santa Cecilia Turismo Ltda: R$ 9,54 Consórcio VCP Mobilidade: R$ 10,67 Consórcio Andorinha: R$ 9,55 ➡️ Lote Norte: regiões Norte, Oeste e Noroeste Consórcio MOV Campinas: R$ 9,60 Sancetur – Santa Cecilia Turismo Ltda: R$ 10,32 Consórcio Grande Campinas: R$ 9,49 Integram o consórcio Grande Campinas: Transporte Coletivo Grande Marília Ltda., Nova Via Transportes e Serviços Ltda., WMW Locação de Veículos e Serviços de Transportes Ltda. e Auto Viação Suzano Ltda. O edital Sessão pública de recebimento dos envelopes foi realizada na B3, na capital paulista, nesta quarta Victor Hugo Bittencourt/EPTV Para a construção do edital, a prefeitura de Campinas analisou 1,1 mil contribuições apresentadas pela população na consulta pública, que durou de 2 de abril a 2 de julho de 2025. As respostas às contribuições podem ser acessadas no site da Emdec. A administração municipal ressalta que a licitação "adota princípios de equilíbrio econômico-financeiro e consolida a separação entre tarifa pública (paga pelo usuário) e tarifa de remuneração (paga ao operador). O modelo permite políticas públicas como subsídios e eventuais gratuidades, sempre condicionadas à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e ao planejamento orçamentário". Os investimentos em renovação da frota de ônibus serão da ordem de quase R$ 900 milhões, ao longo dos cinco anos iniciais de contrato; e mais R$ 800 milhões ao longo dos dez anos restantes, totalizando R$ 1,7 bilhão em 15 anos. Também haverá investimentos em tecnologia embarcada e nos terminais e estações, totalizando R$ 1,9 bilhão em investimentos. LEIA TAMBÉM Licitação do transporte público em Campinas: veja 10 pontos do edital que podem melhorar o serviço Histórico Ônibus do transporte público municipal de Campinas Fernanda Sunega/Prefeitura Municipal de Campinas Inicialmente prevista para março de 2016, a nova licitação é aguarda porque o Tribunal de Contas do Estado (TCE) avaliou como irregular a concorrência de 2005. Segundo o tribunal, as empresas não poderiam ter passado pelo sistema de avaliações técnicas dentro da licitação de preços. Em agosto de 2019, a prefeitura lançou a primeira versão do edital, mas o documento foi suspenso pelo TCE dois meses depois e acabou barrado pela Justiça em novembro daquele ano. A licitação de 2005 venceu em 2020 e a definição do novo contrato virou uma "novela". Com a anulação, a administração municipal recomeçou o processo para consolidar um novo edital, que foi publicado em dezembro de 2022 — já na gestão Dário Saadi (Republicanos). Em março de 2023, o processo chegou a ser interrompido pelo TCE após contestação pelo sindicato das empresas do segmento (Setcamp). Em maio de 2023, o TCE-SP determinou a reformulação do edital com correções de 14 itens para o processo ser retomado. A reformulação foi publicada no dia 14 de julho. Os estudos para adequações foram realizados pela Emdec e secretarias de Transporte, Administração e Justiça, com apoio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Com as correções no edital, a licitação ocorreu em 20 de setembro de 2023, mas foi declarada deserta, porque nenhuma empresa apresentou oferta para a concessão. Com isso, a prefeitura recomeçou o processo licitatório do zero. A administração municipal abriu em outubro de 2023, a segunda consulta pública para receber sugestões que pudessem contribuir com o processo. Foram 131 manifestações recebidas. Em junho de 2024 foi nomeado, pela administração municipal, um Grupo de Trabalho Intersecretarial, para conduzir a nova licitação do transporte coletivo. A prefeitura realizou 11 audiências públicas em dezembro daquele ano, e abriu uma consulta pública para receber contribuições. Ao todo, foram enviadas 1,1 mil contribuições na consulta pública, que ficou aberta de 2 de abril a 2 de julho de 2025. Em dezembro de 2025, o novo edital foi lançado. Terminal Campo Grande, em Campinas (SP): metrópole tenta definir nova licitação do transporte público Carlos Bassan/PMC VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.