Recorde de feminicÃdio representa 'uma omissão do Estado, porque esse crime é evitável', diz diretora do Fórum de Segurança
Samira Bueno, socióloga e diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, durante a divulgação do relatório da Human Rights Watch ReproduçÃ...
Samira Bueno, socióloga e diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, durante a divulgação do relatório da Human Rights Watch Reprodução/TV Globo O recorde de feminicÃdios no paÃs em 2025 representa uma "omissão do estado" brasileiro, porque esse é um tipo de "crime evitável", afirmou a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Samira Bueno, nesta quarta-feira (4), durante a divulgação do relatório da ONG internacional Human Rights Watch (HRW), em São Paulo. O documento analisa a situação dos direitos humanos em mais de cem paÃses, incluindo o Brasil. Neste ano, os temas abordados incluem regime democrático, liberdade de expressão, aborto, direitos das crianças e violência de gênero, entre outros. 🔎 No ano passado, o Brasil registrou 1.518 casos, o equivalente a quatro mulheres foram assassinadas por dia, segundo os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O recorde anterior havia sido em 2024, com 1.458 registros. Se isso está acontecendo, isso é uma omissão do Estado, porque esse é um crime evitável. ONG alerta para infiltração de facções no estado brasileiro Samira Bueno ressaltou que a maioria das vÃtimas são "meninas e mulheres que morrem dentro de casa nas mãos de seus parceiros ou ex-parceiros". "São crimes evitáveis que são anunciados muito antes de acontecerem por uma série de outras violências que se manifestam antes: violência psicológica, moral, agressão fÃsica", afirmou. Para ela, a omissão está presente em todas as instâncias de poder, especialmente na esfera estadual. Ela também avalia que o combate à violência contra a mulher é frequentemente usado como bandeira em campanhas eleitorais, mas perde prioridade após a posse dos eleitos. "No momento em que têm o poder da caneta, sentam na cadeira e têm a capacidade de fazer a diferença, o orçamento não chega. Não se faz polÃtica pública sem recursos humanos e financeiros", criticou. Na avaliação dela, "há um desfinanciamento dessas polÃticas nos nÃveis municipal e estadual, justamente onde estão os serviços da rede de proteção, como assistência social, saúde e segurança, que podem de fato fazer diferença na vida dessas mulheres". LEIA MAIS: FeminicÃdios em 2025: assassinatos em público revelam controle, defesa da honra e ódio à s mulheres, apontam especialistas Combate a facções criminosas Ao analisar as polÃticas de segurança pública do paÃs, o relatório da Human Rights Watch alerta ainda que o Brasil deveria adotar estratégias novas para combater o crime organizado e sua infiltração no Estado. No capÃtulo dedicado ao Brasil, a Human Rights Watch defende uma reformulação ampla das polÃticas de segurança pública, com ênfase no enfrentamento à s facções criminosas. Em entrevista ao g1, o diretor da entidade no Brasil, César Muñoz, afirmou ter ouvido de um promotor responsável por investigar facções que policiais estavam envolvidos em todos os casos conduzidos por ele. "As facções cooptam agentes públicos para proteger as suas atividades ilÃcitas. Essa infiltração no poder público à s vezes também envolve polÃticos, principalmente a nÃvel local. Essa é uma face muito perigosa do crime organizado, pois pode corromper as instituições por dentro", afirmou. Muñoz defende no relatório que as autoridades brasileiras deveriam conduzir "investigações aprofundadas e baseadas na inteligência" para identificar esses vÃnculos entre criminosos e pessoas que fazem parte do poder público.