Um ano após professora morrer envenenada, amiga diz que vítima desconfiava de traições, mas era dedicada ao casamento

Morte de professora de pilates por envenenamento em Ribeirão Preto, SP, completa um ano Há um ano, a professora de ginástica rítmica Izabele Surian Cera Fil...

Um ano após professora morrer envenenada, amiga diz que vítima desconfiava de traições, mas era dedicada ao casamento
Um ano após professora morrer envenenada, amiga diz que vítima desconfiava de traições, mas era dedicada ao casamento (Foto: Reprodução)

Morte de professora de pilates por envenenamento em Ribeirão Preto, SP, completa um ano Há um ano, a professora de ginástica rítmica Izabele Surian Cera Filippini precisa lidar com a dor pela morte da amiga Larissa Rodrigues, professora de pilates que morreu envenenada por chumbinho em Ribeirão Preto (SP). O marido de Larissa, Luiz Antônio Garnica, e a mãe dele, Elizabete Arrabaça, são réus no processo que investiga a morte da professora e serão julgados por homicídio qualificado por motivo torpe, além de feminicídio qualificado por ter sido causado por emprego de veneno, meio insidioso ou cruel, mediante dissimulação, além de recurso que dificultou a defesa da vítima. Para Izabele, a revolta é ainda maior porque a amiga era dedicada ao casamento e sempre falava do marido com carinho. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp "Ela tinha um respeito enorme por ele, uma admiração muito grande, uma dedicação enorme ao casamento. Isso era muito latente". O julgamento ainda não foi marcado, mas o Ministério Público acredita que possa acontecer ainda neste ano. Para a promotoria, Luiz é o mentor do crime e a mãe, a executora. LEIA TAMBÉM Justiça determina júri popular para marido e sogra acusados de envenenar e matar professora Após mortes da nora e da filha envenenadas, mulher é denunciada à Justiça pelo 3º crime Médico é preso com a mãe por suspeita de matar esposa envenenada em Ribeirão Preto A morte de Larissa completa um ano no domingo (22). O julgamento de Garnica e Elizabete ainda não foi marcado, mas os dois negam participação no caso. Eles estão presos desde maio do ano passado. À EPTV, afiliada da TV Globo, Izabele disse que, apesar de toda a dedicação de Larissa ao casamento e ao marido, a professora desconfiava de traições. Ela também reclamava de solidão e chegou a dizer à amiga que 'era viúva de marido vivo'. "Ela falou que era muito solitária, que era viúva de marido vivo, porque estava sempre muito sozinha. Na hora, me pegou muito. Fiquei mexendo no cabelo dela. Falei 'Larissa, está sabendo de alguma coisa?' Ela 'não, porque quem procura acha'. Falei 'está certa, filha'. Quando começaram a falar de traição [após a morte dela], comecei a ficar louca de tristeza, de dó mesmo, por conhecer a integridade da Larissa, a dedicação que ela tinha por aquele casamento". A professora Larissa Rodrigues morreu em Ribeirão Preto, SP, em março deste ano Arquivo pessoal Advogado de defesa de Elizabete, Bruno Corrêa acredita que ela pode ser absolvida, por considerar as provas contra a sogra de Larissa frágeis para incriminá-la. "A defesa é bem convicta que, em um eventual plenário, a Elizabete pode, sim, ser absolvida, porque os indícios que o Ministério Público aponta, com base na investigação da polícia, são muito frágeis e existem severas dúvidas se outras pessoas podem ter ido lá. O fato se existir uma carta que ela escreveu, algumas situações, por exemplo, ela foi a última a estar com a Larissa, isso é um indício. Isso não diz se foi ela quem matou". O advogado de defesa de Garnica, Júlio Mossim, diz que o marido da vítima é inocente e a culpa da morte de Larissa é da mãe dele. "Para a defesa do Luiz, a inocência dele está muito bem delineada na prova dos autos. Nós não temos uma prospecção de ficar entrando com sucessivos recursos a fim de atrasar um tribunal do júri, até mesmo porque o Luiz está preso. Todo momento que eu converso com ele, ele chora e fala 'eu sou inocente, eu estou preso em virtude de uma responsabilidade exclusiva da minha mãe". Além de ré pela morte da nora, Elizabete também é investigada pela morte da filha, Natália Garnica, e por uma tentativa de homicídio por envenenamento a uma amiga. Izabele Surian Cera Filippini, professora de ginástica rítmica e amiga de Larissa Rodrigues, que morreu envenenada em Ribeirão Preto, SP Cacá Trovó/EPTV Morte por envenenamento Larissa Rodrigues tinha 37 anos quando foi encontrada morta no apartamento em que vivia com Garnica na manhã de 22 de março, no Jardim Botânico, zona sul de Ribeirão Preto. Exames detectaram a presença de chumbinho no organismo da vítima. O envenenamento, segundo a denúncia do Ministério Público, foi progressivo, com doses diárias visando debilitar a vítima até causar a morte e dar a impressão que ela havia sofrido uma complicação decorrente de intoxicação crônica. De acordo com a investigação, no início de março do ano passado, Larissa havia descoberto que o marido mantinha uma relação extraconjugal. A Polícia Civil e o MP concluíram que a professora começou a ser envenenada pela sogra a mando do filho para evitar uma partilha de bens. Para o MP, tanto Garnica quanto Elizabete estavam endividados e tinham interesse em manter o patrimônio nas mãos do médico em caso do divórcio dele. Prédio em bairro da zona Sul de Ribeirão Preto, SP, onde Larissa Rodrigues vivia com o médico Luiz Antonio Garnica Reprodução/EPTV Segundo o Ministério Público, em algumas ocasiões, Garnica chegou a buscar a sopa envenenada preparada pela mãe para oferecê-la à esposa. Além disso, medicou Larissa em ao menos duas ocasiões com substâncias providenciadas pela mãe, sem que a vítima soubesse o que estava ingerindo. A Promotoria destaca que o crime foi praticado por motivo torpe, impulsionado pelo desejo de Garnica de evitar a partilha de bens e de viver seu relacionamento com a amante, com a colaboração de Elizabete, que também tinha interesse financeiro na não divisão dos bens, principalmente um apartamento financiado pelo casal. A administração do veneno de forma dissimulada, aproveitando-se da confiança de Larissa e da ausência de testemunhas, dificultou a defesa da vítima, que sequer desconfiava das intenções da sogra. Ainda segundo o MP, Garnica fingiu emoção na chegada dos socorristas à casa do casal. Ele também limpou o apartamento na tentativa de eliminar provas. Conversas foram apagadas do celular dele, e o médico ainda fez pesquisas sobre como driblar a polícia em caso de apreensão do telefone. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região